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Posted by on out 8, 2013 in Ciência, Pesquisa, Pesquisa Social, Pnad | 0 comments

Transformações sociais (Valor Econômico, em 08.10.2013)

BRASÍLIA, 

Por Marcelo Côrtes Neri

A Pnad nos permite traçar um retrato amplo das mudanças observadas na vida dos brasileiros no ano que passou. Os microdados tornados públicos pelo IBGE simultaneamente com análises e tabulações feitas pela equipe do instituto, permitem a qualquer um replicá-las e desenvolver suas análises. Em 2012, pleno ano do pibinho, a renda real per capita da Pnad deflacionada pelo INPC cresceu 7,98%. Trata-se portanto de crescimento acima da inflação. A importância de complementarmos a análise de crescimento proporcionada pelas contas nacionais com outra baseada em pesquisas domiciliares, tipo Pnad, é a primeira recomendação da comissão de notáveis, comandada pelos ganhadores do Nobel Joseph Stiglitz e Amartaya Sen, sobre como medir o progresso das nações.

Na grande maioria dos países o PIB cresce mais que as pesquisas domiciliares, no Brasil tem ocorrido o oposto nos últimos 9 anos com crescimento dos primeiros 22,8% pontos de porcentagem abaixo dos últimos enquanto o deflator implícito do PIB cresce 22,9% acima do IPCA. Ou seja há equivalência nas séries nominais. É o deflator, companheiro!

Sabemos exatamente o que os preços ao consumidor medem e que há um viés dele para cima por não incorporar a possibilidade de substituição de bens que ficaram relativamente mais caros. Nos EUA esse viés tem correspondido a 0,25 pontos percentuais por ano numa inflação a menos 2 pontos por ano em 2012.

Se o trabalho foi o protagonista da queda de desigualdade, o Bolsa Família merece o Oscar de melhor coadjuvante.

A Pnad permite olhar para a distribuição dos frutos do crescimento entre brasileiros. No acumulado do período 2003 a 2012, o crescimento do brasileiro médio da Pnad é quase duas vezes maior que o PIB per capita. O brasileiro mediano, o João da Silva, cresce quase três vezes mais e o primo pobre dele que está nos 10% com menos renda, cresceu quatro vezes mais. Dependendo do que e de quem se olha, a resposta muda. Como na peça de Pirandello: assim é se assim lhe parece.

Em 2012, o maior crescimento foi o dos 10% mais pobres, cuja renda cresceu 14%. Os 10% mais ricos obtiveram crescimento de 8,3%. Os 40% mais pobres, de 9,9%. Se a população for dividida em frações menores, a renda dos 5% mais ricos cresceu 9,4% e a do 1% mais rico cresceu 16,1%, mas a dos 5% mais pobres cresceu 20,1%.

A desigualdade segundo o índice de Gini ficou parada em 0,526. Medidas de desigualdade mais sensíveis à cauda, como o índice L de Theil, caíram mais que o Gini, mas menos que nos 10 anos anteriores. Há muitas maneiras da desigualdade ficar estável, uma é todos melhorarem (ou piorarem) juntos. No ano passado, as mudanças de renda favoreceram a todos, mas em especial aos mais ricos e aos mais pobres dos pobres. O crescimento observado na metade inferior da distribuição de renda, décimo a décimo, supera o crescimento da média. Apesar da estabilidade do Gini, as mudanças distributivas foram particularmente favoráveis aos pobres, explicando metade da redução da extrema pobreza de 15,9% ocorrida em 2012, 5 vezes mais rápida que nas metas do milênio

Quase ¾ do avanço de renda registrado pela Pnad se deve a expansão do mercado de trabalho, que cresceu em termos per capita 7,6% em 2012. Fundamentalmente, é uma economia em que o mercado de trabalho está descolado do crescimento do PIB, dois Brasis distintos. A análise de rendimentos individuais nos permite entender em detalhe micro a transformação trabalhista. Do lado da quantidade de trabalho, a queda do desemprego explica 10% do ganho de renda do trabalho e a participação, leia-se oferta de trabalho, explica zero. O “efeito-salário” responsável pelos 90% restantes pode ser decomposto em aumento da escolaridade, de 46,6%, e valorização de salário (descontada a escolaridade) de 43,4%. A valorização salarial é o elemento que se destaca em relação aos períodos anteriores.

O ganho educacional entre os ocupados foi o mais forte nas duas últimas décadas, após dois anos fracos. Apesar da estagnação do analfabetismo após biênio forte, a desigualdade de escolaridade medida pelo Gini tem em 2012 queda duas vezes maior que em qualquer ano da série Pnad. O analfabetismo tem sido um mau previsor da distribuição da educação como um todo.

O crescimento de 20,1% na renda real dos 5% mais pobres talvez seja a evidência mais clara dos impactos do Bolsa Família. O programa, que completa em outubro de 2013 sua primeira década, teve impacto fundamental nesse período, explicando 12% da queda da desigualdade, contra 55% da renda do trabalho, 11,4% da renda da previdência acima do piso, e 9,4% do piso previdenciário vinculado ao salário mínimo. Cada real adicional gasto no Bolsa Família impactou a desigualdade 369% mais do que na previdência social, como um todo. Se o trabalho foi o protagonista da queda de desigualdade, o Bolsa Família mereceria o Oscar de melhor coadjuvante.

Os avanços incluem o acesso a serviços públicos essenciais e bens de consumo duráveis. O percentual de pessoas que tiveram acesso simultaneamente a energia elétrica, coleta de lixo, esgotamento sanitário adequado e rede geral de água aumentou 1% em 2012, atingindo o universo de 59,2% da população. Da mesma forma, aumentou 2,2% a população com o “combo” telefone, TV a cores, fogão, geladeira, rádio e máquina de lavar, que alcançou 46,6% das pessoas em 2012. No período de 1992 a 2012, a população que teve acesso a serviços públicos essenciais e a bens duráveis básicos aumentou 18,6% e 35,5%, respectivamente. As condições privadas de vida das famílias avançaram mais que a provisão de serviços públicos essenciais por parte do Estado. Há muito por fazer na cobertura e qualidade de serviços públicos em geral, mais quando o crescimento de consumo e trabalho pressiona a infraestrutura existente.

Em suma, fora a estabilidade da desigualdade, 2012 foi um ano de colheita de resultados melhor que a média das duas décadas anteriores, tomadas de forma conjunta ou isoladas. Falo de quesitos como crescimento, pobreza, trabalho, educação e acesso a bens privados e a serviços públicos.

Marcelo Côrtes Neri é ministro interino da Secretaria de Assuntos Estratégicos; presidente do Ipea e professor da EPGE/FGV. Autor de “Microcrédito: o Mistério Nordestino e o Grameen Brasileiro” (FGV), “Cobertura Previdenciária: Diagnósticos e Propostas” (MPS) e “A Nova Classe Média”.

Fonte: http://www.sae.gov.br/site/?p=18450#ixzz2h8jVTeWc

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Posted by on set 27, 2013 in Ciência, Educação, Estatística, Pesquisa Social, Pnad | 0 comments

PNAD 2012: Desocupação diminui, mas percentual de empregados com carteira assinada fica estável

Fonte: Ibge, Comunicação Social, 27/9/2013

A taxa de desocupação das pessoas com 15 anos ou mais de idade foi de 6,1% em 2012, abaixo dos índices de 2011 (6,7%) e de 2004 (8,9%). Já o percentual de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado (74,6%) manteve-se estável de 2011 para 2012, embora o número absoluto tenha crescido 3,2%. Houve avanço também nos indicadores nacionais relacionados ao trabalho infantil. Em 2012, havia 3,5 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos de idade trabalhando, 156 mil a menos que em 2011. O nível da ocupação (proporção de ocupados nessa faixa etária) das pessoas de 5 a 17 anos foi de 8,3% em 2012, frente a 8,6% em 2011.

Estas informações são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2012, que mostra também que houve um ganho de 5,8% no rendimento médio mensal real de todos os trabalhos das pessoas de 15 anos ou mais de idade ocupadas e com rendimento, na comparação entre 2011 (R$ 1.425,00) e 2012 (R$ 1.507,00), o que ocorreu em todas as regiões. Aumentou a desigualdade entre homens e mulheres nesse período: em 2012, as trabalhadoras recebiam o equivalente a 72,9% (R$ 1.238,00) do rendimento dos homens (R$ 1.698,00); em 2011 esta proporção era de 73,7%.

A concentração de renda também diminuiu de 2011 para 2012. O índice de Gini do rendimento do trabalho, que mede o grau de concentração de renda, cujo valor varia de zero (perfeita igualdade) a um (a desigualdade máxima), manteve a tendência de queda observada em anos anteriores e passou de 0,501 em 2011, para 0,498 em 2012. Houve estabilidade no Gini do rendimento médio mensal real de todas as fontes, que continuou em 0,507, de 2011 para 2012. Também o Gini do rendimento domiciliar não se alterou significativamente (de 0,501 para 0,500).

O número de analfabetos de 15 anos ou mais de idade no Brasil passou de 12,9 milhões para 13,2 milhões de pessoas entre 2011 e 2012. Com isso, a taxa de analfabetismo, que era de 8,6% em 2011, chegou a 8,7% em 2012. No Nordeste, o contingente aumentou de 6,8 milhões para 7,1 milhões, e a taxa passou de 16,9% para 17,4% em 2012. A região concentrava mais da metade dos analfabetos brasileiros.

Por outro lado, o percentual de pessoas de 25 anos ou mais de idade sem instrução ou com menos de um ano de estudo caiu de 15,1% para 11,9% no Brasil, uma diminuição 3,4 milhões de pessoas em um ano. Já o percentual de pessoas com nível superior completo passou de 11,4% em 2011 para 12,0% em 2012, um aumento de 6,5% (867 mil pessoas a mais), totalizando 14,2 milhões de pessoas.

A PNAD é realizada desde 1967 e traz informações sobre população, migração, educação, trabalho, rendimento e domicílios para Brasil, grandes regiões, estados e regiões metropolitanas. Os resultados de 2012 podem ser acessados pelo endereçohttp://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2012/default.shtm.

Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul apresentaram os maiores percentuais de idosos

É de 1,6 milhão de pessoas a diferença entre a população estimada pelas PNAD 2011 e 2012 (196,9 milhões). Os maiores aumentos ocorreram nas regiões Norte (1,4%) e Centro-Oeste (1,3%). As mulheres representavam 51,3% em 2012. Além disso, 63,2% da população tinha até 39 anos e as pessoas com 60 anos ou mais, 12,6% (12,1%, em 2011). Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro apresentaram os maiores percentuais de população com 60 anos ou mais de idade, ambos com 16,1%.

Entre 2004 e 2012, a PNAD indica envelhecimento da população (pessoas com 60 anos ou mais), especialmente entre as mulheres (aumento de 7,0% contra 5,6%, entre os homens), e aponta a redução de jovens. Em 2004, 42,8% da população era representada por pessoas de até 24 anos; oito anos depois, na mesma faixa etária, o percentual caiu para 39,6%.

Os percentuais de brancos (46,2%) e pardos (45,0%) eram próximos. A população preta representava 7,9% do total, e os indígenas e amarelos, 0,8%. Em relação a 2011, houve redução da população branca em 1,5 ponto percentual, contra aumento de 2,0 pontos percentuais na população parda.

Nível da ocupação entre migrantes (acima de 59%) supera a média nacional (56,2%)

Em 2012, as pessoas não naturais do município de residência representavam 39,4% (77,6 milhões) da população e as não naturais da unidade da federação, 15,7% (30,8 milhões). O maior percentual de migrantes (34,1%) estava na região Centro-Oeste. Comparado a 2011, a região Sudeste foi a única a apresentar aumento da população não natural do município (0,4 ponto percentual), a região Centro-Oeste teve uma redução de 2,2 pontos percentuais.

As pessoas migram mais na faixa entre 18 e 59 anos, tanto de município (68,0%) quanto de unidade da federação (69,2%). O nível da ocupação (percentual de pessoas de 15 anos ou mais ocupadas) da população não natural do município é de 59,0%, acima da média brasileira (56,2%); para a população não natural da unidade da federação, o percentual é de 60,1%.

Os analfabetos com 15 anos ou mais de idade somavam 13,2 milhões em 2012

A região Nordeste registrou taxa de analfabetismo de 17,4% entre as pessoas de 15 anos ou mais de idade em 2012, 0,5 ponto percentual acima da taxa de 2011 (16,9%), variação que não é estatisticamente significativa. Frente a 2004 (22,5%), a taxa caiu 5,1 pontos percentuais. Ainda assim, a região concentrava, em 2012, 54,0% dos analfabetos nessa faixa etária, um contingente que somava 7,1 milhões de pessoas. No Centro-Oeste a taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade passou de 6,3% em 2011 para 6,7% em 2012, o que também não foi estatisticamente significativo. No Brasil, a taxa foi estimada em 8,7%, frente a 8,6% em 2011 e 11,5% em 2004. Em 2012, havia no país 13,2 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais de idade.

A taxa de analfabetismo tem sido maior nos grupos de idades mais elevadas em todas as grandes regiões. A taxa para pessoas entre 15 e 19 anos era de 1,2% em 2012, enquanto para aqueles com 60 anos ou mais estava em 24,4%.

Percentual de pessoas sem instrução cai de 15,1% para 11,9% em um ano

Dentre a população com 25 anos ou mais, o percentual de pessoas sem instrução diminuiu de 15,1% para 11,9% entre 2011 e 2012. Já a proporção daqueles que possuíam nível fundamental incompleto ou equivalente aumentou de 31,5% para 33,5% no mesmo período. O percentual de pessoas com nível superior completo passou de 11,4% para 12,0%, um aumento de 6,5% (867 mil pessoas a mais), totalizando 14,2 milhões de pessoas.

Em relação à média de anos de estudo das pessoas de 10 anos ou mais, houve aumento de 0,2 anos, passando de 7,3 em 2011 para 7,5 em 2012. Aproximadamente 60,9 milhões de pessoas possuíam pelo menos 11 anos de estudo. Na região Nordeste, o percentual de pessoas com 11 anos ou mais de estudo era de 28,0% em 2012, maior que os 27,2% de 2011, enquanto na região Sudeste a proporção era de 41,8% em 2012 e de 40,4% em 2011.

Em 2012, 98,2% das crianças de 6 a 14 anos frequentavam a escola (taxa de escolarização), mesmo percentual observado em 2011. Para os jovens de 15 a 17 anos, a taxa de escolarização em 2012 era de 84,2%, superior à de 2011 (83,7%). Na faixa de 18 a 24 anos, o percentual situava-se em 29,4%.

População desocupada caiu 7,2% em relação a 2011

A taxa de desocupação das pessoas com 15 anos ou mais de idade foi de 6,1% em 2012, abaixo dos índices de 2011 (6,7%) e de 2004 (8,9%). O Sul mostrou a menor taxa (4,1%) e o Nordeste, a maior (7,6%). Em relação a 2011, a única região que apresentou variação estatisticamente significativa foi a Sudeste, onde a taxa passou de 7,0% para 6,1% em 2012.

O número de desocupados (pessoas que não trabalhavam, mas tomaram providência efetiva para conseguir trabalho), 6,2 milhões de pessoas, caiu 7,2% em relação ao ano anterior, uma diminuição de 478 mil desocupados. Em relação a 2004, houve uma retração de 22,5%, menos 1,8 milhão de pessoas. No Sudeste (-11,1%) ocorreu a única variação estatisticamente significativa. Já a população ocupada chegou a 93,9 milhões de trabalhadores em 2012, um crescimento de 1,6% em relação a 2011, atingindo 2,7% na região Norte.

O percentual de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado (74,6%) manteve-se estável de 2011 para 2012, embora o número absoluto destes trabalhadores tenha crescido 3,2%, chegando a 35 milhões de pessoas nessa condição, 1,1 milhão a mais de empregos nessa modalidade. No Sudeste e no Sul a proporção ultrapassou 80%.

Em 2012, o Brasil tinha 3,5 milhões de crianças e adolescentes trabalhando

Em 2012, havia 3,5 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos de idade trabalhando, 156 mil a menos que em 2011. Essa população ocupada era composta por 81 mil crianças de 5 a 9 anos de idade; 473 mil de 10 a 13 anos; e 3,0 milhões, de 14 a 17 anos. Nessas três faixas etárias, o sexo masculino era maioria. Entre 2011 e 2012, a maior queda percentual (-23,0%) ocorreu dos 10 aos 13 anos, com 142 mil crianças deixando de trabalhar.

O nível da ocupação (proporção de pessoas ocupadas nessa faixa etária) das pessoas de 5 a 17 anos foi de 8,3% em 2012, frente a 8,6% em 2011 e 9,8% em 2009.

Já o rendimento mensal domiciliar per capita das crianças e adolescentes de 5 a 17 anos que trabalhavam era de R$ 512,00 em 2012, contra R$ 547,00 para aqueles que não trabalhavam. Em média, essas crianças trabalhavam 27,5 horas por semana. A atividade agrícola concentrava 60,2% da população ocupada de 5 a 13 anos de idade.

Em um ano, aumenta a distância entre o rendimento médio de homens e mulheres

O rendimento médio mensal real de todos os trabalhos das pessoas de 15 anos ou mais de idade ocupadas e com rendimento era de R$ 1.507,00 em 2012, um aumento de 5,8% em relação a 2011. Em todas as regiões houve aumentos: Norte (2,1%), Nordeste (8,1%), Sudeste (6,0%), Sul (5,8%) e Centro-Oeste (4,8%). Os 10% da população ocupada com os rendimentos mais elevados concentravam 41,2% do total de rendimentos de trabalho, enquanto os 10% com os rendimentos mais baixos, 1,4%. O rendimento médio dos homens era de R$ 1.698,00 e o das mulheres, R$ 1.238,00. Em média, as trabalhadoras recebiam o equivalente a 72,9% do rendimento dos homens. Em 2011, esta proporção era de 73,7%.

Os empregados com carteira assinada recebiam, em média, R$ 1.403,00, um ganho real de 4,6% em relação a 2011. Também tiveram ganhos os militares e estatutários (0,9%) e os outros empregados sem carteira de trabalho assinada (5,7%). Já os trabalhadores domésticos com carteira assinada tiveram aumento de 10,8%, e os sem carteira, de 8,4%.

O rendimento médio real de todas as fontes (das pessoas de 15 anos ou mais de idade, com rendimento) cresceu 5,6% em relação a 2011 e chegou a R$ 1.437,00 em 2012. Todas as regiões tiveram aumentos: 2,0% na Norte (R$ 1.110,00 em 2012); 7,3% na Nordeste (R$ 970,00); 6,2% na Sudeste (R$ 1.667,00); 5,2% na Sul (R$ 1.600,00) e 5,3% na Centro-Oeste (R$ 1.754,00).

O rendimento médio mensal real dos domicílios particulares permanentes com rendimento foi de R$ 2.721,00, com ganho real de 6,5% em relação a 2011, e aumentos em todas as regiões. A Nordeste apresentou o maior aumento (9,1%), mas o menor valor (R$ 1.851,00). A Norte teve a menor variação (3,1%) e a Centro-Oeste, o maior (R$ 3.263,00).

O Índice Gini, que mede o grau de concentração de renda) do rendimento domiciliar não se alterou significativamente (de 0,501 para 0,500 entre 2011 e 2012).

Pesquisa confirma avanço na posse de bens duráveis

O número de domicílios cresceu 2,5% entre 2011 e 2012, chegando a 62,8 milhões, 1,6 milhão a mais que no ano anterior. As regiões Norte (3,3%) e Nordeste (2,9%) cresceram mais que a média nacional. Já o Sudeste teve o menor crescimento do número de domicílios (2,2%).

A pesquisa confirmou o avanço na posse de alguns bens duráveis de 2011 para 2012, tais como: geladeira (de 95,8% para 96,7%); máquina de lavar roupa (de 51,0% para 55,1%) e televisão (de 96,9% para 97,2%). Houve aumento também no número de domicílios em que ao menos um morador possuía carro (de 40,9% em 2011 para 42,4% em 2012) ou motocicleta (de 19,1% para 20,0%) para uso pessoal.

Em um ano, domicílios com rede coletora de esgoto crescem 21,6% na região Sul

A participação dos domicílios que dispunham dos serviços de rede coletora de esgoto passou de 55,0% para 57,1% de 2011 para 2012. O maior aumento ocorreu na região Sul, que passou de 35,7% para 42,3%. A região Norte manteve-se estável em relação a 2011 (13,0%) e com um percentual bem menor que o Sudeste (84,1%).

Em 2012, 53,6 milhões de domicílios eram beneficiados por rede geral de abastecimento de água (85,4%), aumento de 0,8 ponto percentual em relação a 2011 ou mais 1,8 milhão de unidades atendidas. Na região Norte houve um acréscimo de 2,4 pontos percentuais na proporção de domicílios com rede geral de água em relação ao ano anterior (de 55,9% para 58,3%).

O número de domicílios atendidos por coleta de lixo passou de 54,4 milhões para 55,8 milhões, 88,8% do total em 2012, mesma participação apurada em 2011. Todas as regiões contribuíram para a expansão, sendo que a Sudeste, onde a coleta beneficiava 96,0% dos domicílios, ampliou o atendimento a 585 mil novas unidades, o maior aumento. O menor crescimento ocorreu na Centro-Oeste, com 87 mil unidades, onde atingia 91,3%. Nas regiões Norte, Nordeste e Sul, esse serviço era ofertado a 77,3%, 76,6% e 93,0% dos domicílios, respectivamente.

De 2011 para 2012, a proporção de domicílios com iluminação elétrica passou de 99,3% para 99,5% (62,5 milhões de domicílios). Na região Norte a parcela dos que tinham esse serviço era de 96,2% em 2011 e, em 2012, passou para 97,3%. Nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, os percentuais de atendimento encontram-se muito próximos de 100,0%.

91,2% dos domicílios possui algum tipo de telefone

O número de domicílios com algum tipo de telefone cresceu 4,1% entre 2011 e 2012, com 2,2 milhões de novos domicílios com acesso a esse serviço (91,2%), sendo 1,9 milhão com apenas telefone fixo (3,0%), número 12,5% inferior ao de 2011 (2,1milhões). O número de domicílios em que pelo menos um morador possuía telefone móvel celular para uso pessoal aumentou em 1,8 milhão de unidades, de 2011 para 2012.

Em 2012, 122,7 milhões de pessoas com 10 anos ou mais de idade possuíam telefone móvel celular para uso pessoal, um crescimento de 6,3% em relação a 2011 (7,2 milhões de pessoas). Em 2011, essa população era de 115,4 milhões. As regiões Norte e Nordeste permaneceram as únicas em que menos de 70% da população de 10 anos ou mais tinha celular, embora tenham apresentado as maiores elevações nas proporções de usuários (ambas de 4,1 pontos percentuais). A região com o maior percentual de usuários foi a Centro-Oeste, com 81,6%.

Com menores percentuais de internautas, Norte e Nordeste crescem em 2012

Aproximadamente 83,0 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade acessaram a Internet nos três meses anteriores à pesquisa, contra 77,7 milhões no ano anterior, um avanço de 6,8% (5,3 milhões de novos internautas). Os contingentes de internautas e as respectivas variações percentuais anteriores a essa foram: de 2009 para 2011 (77,7 milhões de pessoas, 14,4%) e de 2008 para 2009 (67,9 milhões de pessoas, 21,5%).

O Sudeste continuou sendo a região com maior percentual de internautas em 2012 (57,0%). Norte (39,2%) e Nordeste (36,4%) ficaram abaixo do percentual verificado para a média nacional (49,2%). Em relação ao contingente de internautas, também houve avanço em todas as regiões, especialmente na Norte (12,7%) e Nordeste (8,2%), cujos crescimentos ficaram acima da média nacional (6,8%). O Centro-Oeste teve o menor crescimento (4,6%). Os avanços verificados no Nordeste e no Norte corresponderam a, respectivamente, 1,3 milhão e a 600 mil novos usuários.

De 2011 para 2012, houve aumento do contingente de pessoas que acessaram a internet, em todos os grupos etários, especialmente nas faixas até 29 anos de idade, em que o contingente aumentou 3,4%. Nas faixas acima de 30 anos de idade esse crescimento foi de 11,2%.

 

Comunicação Social
27 de setembro de 2013

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Posted by on set 3, 2013 in Pesquisa Social, Pnad | 0 comments

Primeira Página – Meio rural vive ‘debandada’ de mão de obra

Estudo feito pela FGV com base em dados da Pnad mostra que o aumento do salário mínimo
tem provocado a antecipação da aposentadoria e permitido a permanência das crianças e
adolescentes nas escolas em região dominada pela agropecuária. Segundo economistas, nem
mesmo a alta da inflação será capaz de reverter este quadro, revela Fernanda Nunes

Trabalhador rural longe do campo

Mão de obra agropecuária despencou, com a expansão do salário mínimo. Os mais velhos estão antecipando a aposentadoria e garantindo a permanência dos jovens na escola

Fernanda Nunes

O aumento da renda, proveniente da valorização do salário mínimo, mudou a estrutura do mercado de trabalho no meio rural, revela estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), divulgado com exclusividade ao Brasil Econômico. “Houve uma debandada da mão de obra. Um grupo expressivo está preferindo ficar em casa a ir para a lavoura”, destaca o economista Rodrigo Leandro de Moura.

A opção por não trabalhar na agropecuária não indica, contudo, transferência da mão de obra para as cidades e aumento da migração, como ocorreu na história recente da economia brasileira. Ao contrário do passado, os anos 2000 são marcados pela migração rural em patamar equivalente ao do período ainda de nascimento da industrialização, nos anos 50, embora, ressalte Moura, dessa vez, haja um contingente muito menor de trabalhadores instalados no campo.

A pesquisa do Ibre/FGV utiliza como base os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (Pnad), relativo ao cenário de 2011. A divulgação mais atualizada sairá em setembro, quando o estudo será revisto. Mas, segundo o economista, as mudanças ocorridas no mercado de trabalho rural foram estruturais e permanecem.

Mesmo a inflação crescente neste ano não é capaz de reverter as transformações, porque o reajuste do salário mínimo, balisador da aposentadoria, supera a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e garante a manutenção dos ganhos adquiridos. “Ficaria muito surpreso se algo mudasse repentinamente. São fatores estruturais que, dificilmente, são revertidos de um ano para outro”, destaca Moraes.

Além disso, diz ele, o avanço expressivo do Produto Interno Bruto (PIB) do setor agropecuário no primeiro semestre deste ano indica queda da população ocupada nomeio rural e aumento da produtividade, retrato condizente como quadro assinalado pelo estudo do Ibre/FGV. A queda de 1,9% da população ocupada no campo, de 2004 a 2011, está relacionada a um movimento crescente de antecipação de aposentadorias, sobretudo, entre trabalhadores com menos escolaridade, de zero a sete anos de estudos.

A expansão do salário mínimo fez com que a renda média mensal decorrente da aposentadoria superasse à do trabalho, de 2004 a 2011— 5,08% ante 4,7%, respectivamente. A média da renda como trabalho é de R$ 490 e coma aposentadoria, de R$ 693. Com mais dinheiro para custear o orçamento, as famílias estão podendo deixar suas crianças e jovens de 10 a 17 anos permanecerem mais tempo na escola, em sistema de dedicação exclusiva, distantes da lavoura.

Soma- se à contribuição da aposentadoria, as melhores condições do acesso à escola, revela o estudo. A consequência imediata é a queda de 1,7% da taxa de participação da força de trabalho rural, no período. Ou seja, caiu o números de pessoas em idade para trabalhar que optaram por buscar emprego no campo, nos sete anos. E as mudanças pouco têm a ver com os programas sociais do governo, segundo o Ibre/FGV. Apenas 3,7% da queda taxa de participação da força de trabalho são relativas ao aumento real de benefícios sociais entre 2004 e 2011.

Daniela Rocha, que divide com Moura o estudo, salienta, contudo, que os produtores agrícolas estão compensando a redução da oferta de mão de obra com programas de qualificação dos trabalhadores para que operem máquinas, cada vez mais presentes no campo. Ela cita o caso dos produtores de cana-de-açúcar, que optaram por qualificar seu pessoal já empregado, em vez de contratar pessoal treinado.

A permanência dos jovens por mais tempo nas escolas também tende a contribuir para que o setor agropecuário mantenha o crescimento da produtividade, porque permitirá que uma fatia maior de estudantes alcance o segundo grau técnico especializado, de acordo com Daniela. Ainda assim, “há uma discussão muito grande sobre até que ponto a mão de obra rural consegue se adequar aos avanços tecnológicos.

O meu palpite é que há dificuldade de absorção do trabalhador”, ressalta Moura. Isso explica em parte a antecipação da aposentadoria por alguns. Sem conseguir espaço no mercado, eles buscam solução na previdência. Os cenários, na verdade, variam de acordo com as regiões do país. A carência por mão de obra é maior no Nordeste, enquanto o Centro-Oeste é favorecido pela migração do meio urbano para o rural, em decorrência dos resultados extraordinários dos mercados de soja, milho e pecuária.

A queda da população rural ocupada acaba por repercutir também sobre o mercado de trabalho urbano, diz Moura. “Um potencial menor de trabalhadores rurais tem suprido as cidades”, afirma. E a perspectiva é de manutenção deste quadro, ao menos no curto prazo. “A mudança é estrutural”, reforça o economista.

 

Fonte: Brasil Econômico

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